História revisitada

Exibição de documentários produzidos pelo Escritório de Cinema no dia 14 de julho é destaque da agenda da SCAR

No dia 14 de julho, dois filmes produzidos pelo Escritório de Cinema em Jaraguá do Sul vão estrear em sessão especial na SCAR.

 

Com entrada gratuita, a partir das 20h o público vai conferir o curta metragem de ficção "Vovô Emílio e o Caminho do Peabiru", filme de 16 minutos voltado para crianças do Ensino Fundamental que trata sobre o tema da colonização do município.

 

Na sequência, será exibido o documentário "Vale Tombado", produção que fala sobre o tombamento nos bairros Rio da Luz e Testo Alto, em Jaraguá do Sul e Pomerode. Paisagens, a arquitetura e a polêmica sobre o limite entre o interesse público e o particular, junto com depoimentos marcantes, compõem o filme, que tem duração de 45 minutos. Após a sessão, o diretor do filme, Carlos Daniel Reichel, e convidados vão debater o tema.

 

Sobre as produções

 

“Vovô Emílio e o Caminho do Peabiru”

 

Curta-metragem de ficção que traz a aventura das crianças Alice e Otto, alunos do Ensino Fundamental, para desvendar um enigma na cidade de Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina. O filme foi produzido com o objetivo de ajudar escolas e professores a abordar a história da cidade, principalmente no período da colonização, para alunos com idades entre 7 a 11 anos.

 

De forma lúdica, as crianças-protagonistas conversam com personalidades marcantes, como Emílio da Silva e o coronel Jourdan, percorrendo a cidade e conhecendo fatos históricos. O espectador passeia por locais, como a Biblioteca Municipal e o Museu Emílio Silva, e se envolve com a charada a ser desvendada.

 

Para solucionar o enigma, as crianças usam ferramentas de pesquisa, como os livros da biblioteca, utensílios do museu e a própria internet; demonstrando que pesquisar e buscar informações pode ser muito divertido. Com uma linguagem apropriada, o curta-metragem parte do ponto de vista das crianças e do universo infantil para estimular o aprendizado da história da cidade.

 

O projeto recebeu recursos do Fundo Municipal de Cultura de Jaraguá do Sul e foi viabilizado pelo Escritório de Cinema, com produção executiva de Gilmar Moretti. A direção e o roteiro são de Marlon de Toledo, ilustrações e proposta de Eloá Gruetzmacher. A direção de fotografia é de Tais R. Urquizar, com captação e edição de som de Priscila Adratt, e produção de Laura Pedri Pereira.

 

Os alunos da Oficina de Vídeo Digital da SCAR participaram da produção do filme, como forma de exercitarem os conteúdos do curso realizado em 2015. No elenco, as crianças Alice Alegria e Otto Gruetzmacher; com os atores Mery Petty, Manoel Vitorino Bispo e Rubens Franco, e participação especial de Ademir Pffifer.

 

Vale Tombado

 

O tombamento histórico e cultural nos bairros Rio da Luz, em Jaraguá do Sul, e Testo Alto, em Pomerode, completa a primeira década no ano que vem. O período é marcado principalmente pela desinformação e pela polêmica sobre as regras de uso do espaço.

 

Para ampliar o debate sobre esta que é uma das primeiras paisagens culturais brasileiras a receber o título de patrimônio histórico, o Escritório de Cinema produziu o documentário “Vale Tombado”. O projeto, contemplado com recursos do Fundo Municipal de Cultura de Jaraguá do Sul, levou cerca de sete meses para ser concluído – entre pesquisa, filmagem, montagem e finalização.

 

Depois do convite para dirigir o filme, Carlos Daniel Reichel vivenciou uma situação semelhante à dos moradores do bairro Rio da Luz. Sua avó faleceu, e a casa que data de 1955 apresenta sérios problemas estruturais.

 

- "O que fazer com a casa?" passou a ser tema de conversas entre meus pais e tios. Tive a ideia de juntar essas duas histórias, do vale e da casa dos meus avós, ao julgar como é complexo manter o passado vivo, de que forma a memória de uma família ou cidade deve ser preservada. Pensei que seria interessante juntar uma narrativa mais pessoal para ilustrar o aspecto da memória – comenta Reichel.

 

Segundo Reichel, a maior dificuldade foi conseguir as entrevistas, já que os moradores do Rio da Luz têm resistência para conversar sobre o assunto. “Para muitos, falar sobre o tombamento, seja para um filme ou para uma matéria de jornal, não levará a nenhuma mudança”. O documentário será disponibilizado gratuitamente na internet para que alcance o maior número de pessoas e possibilite uma reflexão sobre o resgate da memória das famílias. “Um filme de perguntas, não tanto de respostas”, define o diretor.

 

Produzido pelo Escritório de Cinema, de Gilmar Moretti, o documentário contou com o apoio da We Art e da Clandestino Filmes. A We Art colaborou no registro das imagens aéreas, necessárias para mostrar a extensão do tombamento: 90 quilômetros quadrados, o equivalente a 11 mil campos de futebol. A paulista Clandestino Filmes atuou no restauro de imagens em VHS, acreditando no potencial do filme.

 

 

 

 

SCAR – Sociedade Cultura Artística
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